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Fio de sanidade...

  As pessoas… nós. Verdade, eu também sou uma pessoa. Às vezes esqueço-me disso e começo a olhar como se eu estivesse de fora, observando de longe as criaturas que somos, como agimos. Rio dos nossos devaneios tolos, dos sonhos estúpidos de dominarmos uns aos outros, dos presságios malfeitos, dos desígnios incoerentes. Eu rio da nossa insensatez, da nossa subjugação, do nosso medo frequente de sermos… esquecidos! Quem deseja ser esquecido? Todos parecem se comportar como máquinas programadas para a própria morte. Não quero dizer que estejamos bem conscientes disso, mas provavelmente estamos acordados; em algum nível, estamos, sim, acordados. O quanto realmente nos importamos uns com os outros? O quanto realmente queremos um bem coletivo? Ou estamos lutando para parecer, sempre parecer, os bonzinhos, os seres altamente evoluídos de uma natureza esdrúxula que escolheu os seus preferidos, queridos humanos, para dominarem a porra toda. Não espere de mim palavras doces, caro leitor....

máscaras caindo

com as pessoas certas, é sempre bom trabalhar em e pelo coletivo. com as pessoas erradas, é uma verdadeira dor de cabeça e taça de complicações... mas nem sempre podemos escolher pelas afinidades de intenções e precisamos lidar com velhos paradigmas institucionais implantados em mentes apequenadas: sede de poder, puxadas de tapetes, assédios de todas as ordens, falhas (propositais) na comunicação, fofocas e delações infundadas, trocas de farpas veladas (ou nem tanto!) e por aí vai... eu confesso que sou ingênua e quero fazer meu melhor e meu máximo em cada espaço em que estou, seja profissional ou pessoal. contudo, alguns ambientes são tão sufocantes que nos impedem até de dar o nosso mínimo! tão desmotivadores que nos impedem até de usar a nossa competência! tão castradores, que nos impelem a manter o máximo de distância possível, o que torna impossível que trabalhemos adequadamente pelo coletivo... penso em sair, desistir... todavia, lembro também que sou teimosa e sei "bater de...

Cotidiano incomum

era sábado, dia sem muitas pretensões a não ser dar conta de uma parte da faxina da casa e de ir a um Sarau Litero-musical para o qual eu havia sido convidada no dia anterior. recebi mensagem no grupo das amigas e a informação que uma delas colocou era triste... a mãe dela havia falecido. foi o suficiente para modificar toda a atmosfera do dia, da rotina programada e planejada, do tempo que parecia suficiente para dar conta de tudo e agora simplesmente virava estilhaços junto com as memórias-fragmentos que aquela mensagem me despertou. eu até busquei seguir meu cronograma, coloquei fone de ouvido, fui limpar a varanda e depois dar um tapa no único banheiro que tem aqui em casa. chorei, fiquei com raiva, chorei, fiquei triste, chorei, fiquei revoltada, chorei... por que as pessoas morrem, por que morremos? por que tememos tanto a morte se sabemos que ela anda sempre à espreita? por que não temos respostas legítimas e palpáveis para nossos questionamentos existenciais? chorei até me aca...

Continue a nadar...

enquanto o vapor da água com sal sai de minha boca e gargarejo o mais profundo que consigo, pensando em como poderei extirpar da minha garganta esses microsseres que me fazem tossir, espirrar, doer o peito... foi uma receita de uma amiga querida. ela diz que funciona e eu acredito. espero que funcione mesmo pois estou precisando que todas as magias funcionem a meu favor neste momento. pedi à Alexa que colocasse numa estação de músicas para meditar, embora eu não tenha nenhuma pretensão de ficar sentada, com olhos fechados, buscando esta conexão com algo ou alguém que me explique esta bagunça que é viver. estou aqui escrevendo no meu grupo comigo mesma, que é 1 entre dezenas, chamado "Nossas crônicas", como se este texto pudesse vir a ser uma crônica... Talvez seja mais um mal-entendido, apenas mais um entre tantos que perambulam por aí. antes que a porta da minha casa se abra e me revele o rosto dele, preciso deixar esta nota aqui. ao deitar meu corpo sobre minha cama macia, ...

Eu sei que é difícil...

eu sei que é difícil...  quando estamos imersos em nós mesmos e a mente grita "você está morrendo!" e a gente se assusta e sucumbe outra vez...  ao invés de revidar (re-vida-r), a gente adormece, adoece, sente o peso do corpo e do tempo... mas eu poderia gritar para a mente: "eu sei que estou morrendo e é por isso mesmo que não perderei este momento!" eu sei que é difícil, mas aprendi a lidar com ela da minha própria maneira, com meu próprio ritual interno. faço um chá, ora de erva-doce ora de camomila, olho para o céu e imagino algum desenho esquisito nas nuvens, coloco uma música e danço na cozinha, meu metro quadrado amado! vou a chuveiro e lavo meus cabelos, deixo a água quente entorpecer minha pele, anestesiar minhas dores mortais...  eu sei que é difícil voltar a si, perceber o quanto aquele grito da mente é apenas um alerta, é apenas um aviso: PERIGO!  eu sei que é difícil ver algo de positivo quando os olhos moram em outras dimensões, quando o corpo pede pau...

Buscas na comunicação

Busco compreensão nos meus atos. Busco fazer o possível para ser compreendida. Busco a melhor forma de falar, conversar, explicar para que a comunicação seja sempre límpida e sem ruídos. Busco organizar as ideias antes de repassá-las a outra pessoa. Busco refletir sobre o que desejo comunicar. Busco comunicar apenas o que for essencial e o que não causará confusão nem engano. Busco melhorar minha maneira de falar a cada dia, aprendendo jeitos serenos de me conectar com as outras mentes humanas a partir de um diálogo afetuoso e honesto. Busco não deixar margem para dúvidas acerca daquilo que estou comunicando. Busco ser assertiva e sincera. Busco ativar o melhor do outro a partir do meu contato. Busco estar disposta a elucidar quaisquer dúvidas resultantes da minha interação com outra mente. Busco respirar conscientemente antes de abrir minha boca para comunicar algo. Busco respeitar a inteligência e consciência com quem converso, nunca subestimando sua capacidade de compreensão. Busco ...

Meio-fio

O seu trabalho foi descartado de cara. O título e a primeira frase do capítulo 1 estavam horrendos demais, sem possibilidade de salvação, pensou o juiz da banca examinadora. Parada no ponto de ônibus, a curiosa Fiu, apelido de Madalena, observava o movimento de ônibus, carros, motos, pessoas e cachorros pela Avenida Frei Benjamin. Seu olhar estava mais disponível aos cães, fã confessa dos animais, Fiu sempre revezava entre ansiedade e angústia ao ver o destino traçado para aqueles seres abandonados na rua. Sempre que conseguia, ia ao seu auxílio, fazia campanhas virtuais para arrecadar rações, deixava vasilhas com água perto de onde morava. Mas os cachorros pareciam se multiplicar por todos os cantos da cidade. Cássio trabalhava numa pequena editora no bairro Ibirapuera, morro da cidade interiorana, e acabara de descartar mais um original sem graça na lixeira do seu computador. A Exoticamente estava em período de seleção e o trabalho de encontrar trigo em meio a tanto joio desgasta...

Sobre o peso de guardar o que deseja crescer

Sobre o peso de guardar o que deseja crescer Tudo vai me apertando  Como uma saudade inflamando meus sentidos  A roupa não cabe O coração não cabe O alma não tem cabimento em si Esmaga Esfarela Esfacela  Desfaz o gosto agridoce do sangue sobre as costelas O diafragma congela  Sobre os pulmões dormentes  Sinto os alvéolos doentes  De tanto sentir falta dum sei lá o quê Que nunca, nunca, nunca vivi  De um tempo projetado à frente  Um futuro tão ausente  Perto demais para ser visto Longe demais para ser quisto  Eu sou cisto implantado bem no cerne  Crescendo desordenadamente  Corroendo minha própria mente  Mentindo o que sente por medo Sufocando  Sufocando Amando Amando Querendo tanto e Em tão bem guardado segredo... noi soul

Colapso temporal

Vocês acham que estão fazendo  A REVOLUÇÃO,  crianças Mas estão apenas  REpetindo os passos dos vossos pais Neste país tão degradado Segregado Foi consagrada a maldição  Da boca que come a boca Da serpente sem dente  Tão impune-mente  A mais nova ideia  De 100 anos atrás  Gritos em praças  Sonhos das valsas Pigmentos de heróis e heroínas  Da outrora Do acender da aurora Ou do acaso do ocaso Tão mórbido  Quanto breu Tão fora do eixo quanto  Um você e um eu Continuem, crianças Vossa saudosa revolução  É necessária a cada nova geração  Pensar que faz o novo De novo E de novo Pensar que faz renovo  E, aos trinta e poucos, descobrir  Que tudo não passou de simulacro ou dis-simulação Daquilo que um dia foi E do que poderia vir a ser  E de um passado im-perfeito Ou de um futuro do presente  Ou de um presente do futuro! Oxalá, desta vez, seja real! Como quisera este REnasCER...  noi soul Ou Celéstyan...

O verdadeiro encontro

A autorrevelação é a prova de amor que mais me mobiliza. Quando escuto os segredos mais sombrios de uma outra pessoa contados pela própria pessoa, sinto que a verdadeira conexão se estabelece. Quando tenho permissão para entregar meus próprios demônios nos braços de outro ser, sinto amor. É raro, muito raro, porque a maioria de nós fica na superfície, num algo de não sei o quê de temores e tremores ao pensar na confissão. A maior confissão a ser feita nunca foi sobre as palavras "Eu amo você"... eu as trocaria facilmente pelas palavras, talvez não tão impactantes nem tão diretas quanto almejamos mas de um poder destruidor-formador de mundos, como uma bola de demolição, como uma orquestra de uma só canção, como a realização do sublime sobre a Terra. Quais palavras? Aquelas que, em resumo, poderiam assim ser inscritas numa alma: "Eu confio em você. Eu confio tanto em você que entrego minha história aos seus ouvidos. Eu confio tanto em você  que me derramo inteiramente em s...

Até para a alegria

Eu tenho remédio até para a alegria  Ser alegre desmesuradamente também pode matar Descobri isso enquanto dançava em seus braços  E quase cheguei ao paraíso  Minhas mãos tocaram suas mãos  Meu remédio é sua companhia noi soul

Mátria

Eu preciso falar de coisas bobas  Mas ainda não há tempo Enquanto resolvo e revolvo a vida estas mãos precisam se erguer e se defender Não é bonito o gesto Mas é o que tenho para oferecer Sou mulher numa sociedade violentamente Misógina  Sou mulher numa praça de senhores sem lógica  Sou mulher na senda de uma cultura que me mata e mata a todo instante minha possibilidade de falar Apenas sobre coisas amenas...  Não! Não vão nos calar! E este grito nada bonito Soando como um estampido  Desregulado, desajustado  Dirão mesmo ser histeria  Esta estranha e enfadonha mania De eu viver sempre a me defender... Mas não foi ontem que mataram uma moça? Não foi ontem que mataram seus sonhos? Não foi ontem que mataram mais uma  E mais uma  E mais uma Porque, acham eles, são os seus donos?! Como posso falar de outra forma? Como posso ter polidez? Quando vivo cercada de medos Sempre à espera da minha vez... A minha vez...  Foi ontem,  Foi anteontem...

Promessa

Decidi não dar murro em ponta de faca Decidi não apontar dedos  Nem entrar em intrigas que não sejam necessárias Decidi reivindicar meu direito de existência  E reinventar o que me ensinaram ser minha essência  Eu vou mostrar a quê vim E eu vim para fazer acontecer Eu estou nesta Terra  Plantada com o amor dos deuses Não sou árvores ou raízes  Sou o próprio mar embevecido do céu  Eu sou porta escancarada Sou a fronteira da beirada  Sou o doce escândalo da alvorada Eu sou vida E sou nada! É por isso que nem pensarei duas vezes  Ao lançar minha alma leve  Este instante, de tão breve, É o que resta ao esplendor Então, sonharei e destrancarei  Até os cadeados mais enferrujados E quem andar ao meu lado  Será para brilhar também  O fulgor do meu sol  É luz que desperta amor  Se isso não é a própria epifania  Não sei mais onde estou! Decidi levantar poeira Levantar mulheres  Acender lareiras A minha luminária não é...

Gaiola

Estranha forma de libertação  Esta prisão! Não quero ser flor a perfumar seus cabelos Quero ser a pedra no sapato Incômoda Areia incrustada nos olhos  Ou na ostra  Pérola feita de expurgo  Um canto espúrio  Quero ser invasão dos seus sonhos Motivo dos seus pesadelos  Fogo da sua estrada  Quero ser a encantada  A perturbar sua jornada! [...] Desculpe-me se não sou assim...  Sou uma menina doce Sou uma mulher sem foice Sou a pura gentileza coberta de jasmim Sou a princesa alada E nunca fico calada Falo de um amor sem fim...  Eu sou onda que espalha Sou céu que evoca asas  Sou beleza em seu jardim... Estranha forma de libertação  Esta minha nova prisão! noi soul Pulsão Poética

Doses 2

Uma mente perturbada já está salva Ela não sabe o que pensa...  noi soul (Celéstyan está viajando) é só o que eu acho. Pronto!

Doses

Vou sofrer até que o sofrimento se canse de mim e me deixe em paz. noi soul (Celéstyan está de férias) Primavera de invernos dentro e fora do meu corpo Outubro de 2025

escrevo cartas que nunca enviarei

comecei a fazer isto para mamãe. fiz uma carta para ela, mas o endereço estava um tanto inalcançável, então guardei a carta na minha carteira junto com documentos que talvez nunca utilize. lá também tem um grão de mostarda que ganhei em algum evento do qual já participei. uma sementinha pífia, nada que pareça valer a pena, mas não consigo me desfazer dela. é como um amuleto às reversas para me lembrar da minha falta de sorte. não sou a pessoa mais sofrida ou mais sofredora do mundo, disso eu sei. talvez eu nem esteja na média. talvez eu seja uma das pessoas mais sortudas do mundo. é... e isso não me deixa em paz. mas descobri que posso ajudar outras almas atormentadas a sorrir um pouco, mesmo que eu não saiba contar piada nem ser palhaça. estou aqui lutando contra o sono para conseguir escrever diretamente no Blogger algo que faça sentido (e que faça sentir), só para dizer que retornei. e que, sim! talvez, talvez eu compartilhe alguma palavra que valha a pena seu tempo por aqui. e fala...

É tão ridículo existir...

O que me para é meu senso do ridículo  Queria não ver tanto com a consciência  Faria eu uma revolução  Se não prestasse tento  Em tanta bobagem que escuto minha mente contar Nem é que seja mentira É senso de proteção  É pra não me deixar em apuros É pra não me envergonhar É que eu preferiria não ver tão bem o quanto é ridículo existir noi soul Enquanto tenta se conectar com Celéstyan (elas brigaram um pouco e tudo por causa de Medeia. Que mulheres!!)

Bula da vida moderna

  Acesso: login e senha Mais um espaço preenchido O sonho de quem se empenha  Mais um buraco entupido A vida parece valer a pena Mais um instante consumido Desliza o dedo à próxima cena Mais um segundo repartido Desvia o olho do problema Mais um bilhete corrompido Pergunta à IA melhor esquema Mais um neurônio explodido Desfila no palco do sistema Mais um like obtido Enterra o sono no dilema  Mais um dia extinguido Recarrega a bateria  Da máquina e da ilusão  A própria já foi vendida Da palma à extensão  Acesso: login e senha Quem vai parar esta direção? noi soul 12 de julho de 2025 Hoje, guiada por Celéstyan 

Do caos ao cosmos

Estar adoecida é um caos interno e externo. envergada sobre minha própria alma e sobre meu próprio tempo, impedindo solenemente meu corpo de prosseguir... logo eu, movimento! logo eu que não consigo parar para descansar um bom descanso merecido. minha alma me assusta pedindo repouso, meu corpo rebela-se e se move. Dor! DOR! doR... não preciso de lamentações, apenas de atenção a estes pequenos detalhes atrevidos. Preciso descansar, descanso. Preciso me dar um colo... estou aprendendo com o gerúndio a me permitir.  por hoje, é só. Eu queria dançar, cantar, dar mortais. Mas só posso escrever um pouco e voltar para a cama. Aliás, escrevo mesmo na cama. enfim, fim! Celéstyan  11 de julho de 2025 Em dia de frio pungente e contundente. mas o sol pode enganar... cuidado!