Postagens

Cotidiano incomum

era sábado, dia sem muitas pretensões a não ser dar conta de uma parte da faxina da casa e de ir a um Sarau Litero-musical para o qual eu havia sido convidada no dia anterior. recebi mensagem no grupo das amigas e a informação que uma delas colocou era triste... a mãe dela havia falecido. foi o suficiente para modificar toda a atmosfera do dia, da rotina programada e planejada, do tempo que parecia suficiente para dar conta de tudo e agora simplesmente virava estilhaços junto com as memórias-fragmentos que aquela mensagem me despertou. eu até busquei seguir meu cronograma, coloquei fone de ouvido, fui limpar a varanda e depois dar um tapa no único banheiro que tem aqui em casa. chorei, fiquei com raiva, chorei, fiquei triste, chorei, fiquei revoltada, chorei... por que as pessoas morrem, por que morremos? por que tememos tanto a morte se sabemos que ela anda sempre à espreita? por que não temos respostas legítimas e palpáveis para nossos questionamentos existenciais? chorei até me aca...

Continue a nadar...

enquanto o vapor da água com sal sai de minha boca e gargarejo o mais profundo que consigo, pensando em como poderei extirpar da minha garganta esses microsseres que me fazem tossir, espirrar, doer o peito... foi uma receita de uma amiga querida. ela diz que funciona e eu acredito. espero que funcione mesmo pois estou precisando que todas as magias funcionem a meu favor neste momento. pedi à Alexa que colocasse numa estação de músicas para meditar, embora eu não tenha nenhuma pretensão de ficar sentada, com olhos fechados, buscando esta conexão com algo ou alguém que me explique esta bagunça que é viver. estou aqui escrevendo no meu grupo comigo mesma, que é 1 entre dezenas, chamado "Nossas crônicas", como se este texto pudesse vir a ser uma crônica... Talvez seja mais um mal-entendido, apenas mais um entre tantos que perambulam por aí. antes que a porta da minha casa se abra e me revele o rosto dele, preciso deixar esta nota aqui. ao deitar meu corpo sobre minha cama macia, ...

Eu sei que é difícil...

eu sei que é difícil...  quando estamos imersos em nós mesmos e a mente grita "você está morrendo!" e a gente se assusta e sucumbe outra vez...  ao invés de revidar (re-vida-r), a gente adormece, adoece, sente o peso do corpo e do tempo... mas eu poderia gritar para a mente: "eu sei que estou morrendo e é por isso mesmo que não perderei este momento!" eu sei que é difícil, mas aprendi a lidar com ela da minha própria maneira, com meu próprio ritual interno. faço um chá, ora de erva-doce ora de camomila, olho para o céu e imagino algum desenho esquisito nas nuvens, coloco uma música e danço na cozinha, meu metro quadrado amado! vou a chuveiro e lavo meus cabelos, deixo a água quente entorpecer minha pele, anestesiar minhas dores mortais...  eu sei que é difícil voltar a si, perceber o quanto aquele grito da mente é apenas um alerta, é apenas um aviso: PERIGO!  eu sei que é difícil ver algo de positivo quando os olhos moram em outras dimensões, quando o corpo pede pau...

Buscas na comunicação

Busco compreensão nos meus atos. Busco fazer o possível para ser compreendida. Busco a melhor forma de falar, conversar, explicar para que a comunicação seja sempre límpida e sem ruídos. Busco organizar as ideias antes de repassá-las a outra pessoa. Busco refletir sobre o que desejo comunicar. Busco comunicar apenas o que for essencial e o que não causará confusão nem engano. Busco melhorar minha maneira de falar a cada dia, aprendendo jeitos serenos de me conectar com as outras mentes humanas a partir de um diálogo afetuoso e honesto. Busco não deixar margem para dúvidas acerca daquilo que estou comunicando. Busco ser assertiva e sincera. Busco ativar o melhor do outro a partir do meu contato. Busco estar disposta a elucidar quaisquer dúvidas resultantes da minha interação com outra mente. Busco respirar conscientemente antes de abrir minha boca para comunicar algo. Busco respeitar a inteligência e consciência com quem converso, nunca subestimando sua capacidade de compreensão. Busco ...

Meio-fio

O seu trabalho foi descartado de cara. O título e a primeira frase do capítulo 1 estavam horrendos demais, sem possibilidade de salvação, pensou o juiz da banca examinadora. Parada no ponto de ônibus, a curiosa Fiu, apelido de Madalena, observava o movimento de ônibus, carros, motos, pessoas e cachorros pela Avenida Frei Benjamin. Seu olhar estava mais disponível aos cães, fã confessa dos animais, Fiu sempre revezava entre ansiedade e angústia ao ver o destino traçado para aqueles seres abandonados na rua. Sempre que conseguia, ia ao seu auxílio, fazia campanhas virtuais para arrecadar rações, deixava vasilhas com água perto de onde morava. Mas os cachorros pareciam se multiplicar por todos os cantos da cidade. Cássio trabalhava numa pequena editora no bairro Ibirapuera, morro da cidade interiorana, e acabara de descartar mais um original sem graça na lixeira do seu computador. A Exoticamente estava em período de seleção e o trabalho de encontrar trigo em meio a tanto joio desgasta...

Sobre o peso de guardar o que deseja crescer

Sobre o peso de guardar o que deseja crescer Tudo vai me apertando  Como uma saudade inflamando meus sentidos  A roupa não cabe O coração não cabe O alma não tem cabimento em si Esmaga Esfarela Esfacela  Desfaz o gosto agridoce do sangue sobre as costelas O diafragma congela  Sobre os pulmões dormentes  Sinto os alvéolos doentes  De tanto sentir falta dum sei lá o quê Que nunca, nunca, nunca vivi  De um tempo projetado à frente  Um futuro tão ausente  Perto demais para ser visto Longe demais para ser quisto  Eu sou cisto implantado bem no cerne  Crescendo desordenadamente  Corroendo minha própria mente  Mentindo o que sente por medo Sufocando  Sufocando Amando Amando Querendo tanto e Em tão bem guardado segredo... noi soul

Colapso temporal

Vocês acham que estão fazendo  A REVOLUÇÃO,  crianças Mas estão apenas  REpetindo os passos dos vossos pais Neste país tão degradado Segregado Foi consagrada a maldição  Da boca que come a boca Da serpente sem dente  Tão impune-mente  A mais nova ideia  De 100 anos atrás  Gritos em praças  Sonhos das valsas Pigmentos de heróis e heroínas  Da outrora Do acender da aurora Ou do acaso do ocaso Tão mórbido  Quanto breu Tão fora do eixo quanto  Um você e um eu Continuem, crianças Vossa saudosa revolução  É necessária a cada nova geração  Pensar que faz o novo De novo E de novo Pensar que faz renovo  E, aos trinta e poucos, descobrir  Que tudo não passou de simulacro ou dis-simulação Daquilo que um dia foi E do que poderia vir a ser  E de um passado im-perfeito Ou de um futuro do presente  Ou de um presente do futuro! Oxalá, desta vez, seja real! Como quisera este REnasCER...  noi soul Ou Celéstyan...