um poema de fôlego só
Os ouvidos querem o gosto da palavra Os olhos almejam o gozo da palavra A boca anseia o cheiro da palavra As narinas buscam o toque da palavra As mãos perscrutam o som da palavra Nós somos feitos de carne e palavras Nós somos feitos de células e palavras Nós somos feitos de ossos e palavras Nós somos feitos de sangue e palavras Nós somos feitos de vida e palavras Quão poderosa é aquela que nos permeia Em todos os recônditos Em todas as entradas Em todas as saídas Em todas as chegadas Em todas as despedidas Quão gloriosa é aquela que nos incendeia Em todas as madrugadas Em todos os deslizes Em todas as camadas Em todas as crises Em todas as enseadas Os ouvidos querem o gosto da palavra Os olhos almejam o gozo da palavra A boca anseia o cheiro da palavra As narinas buscam o toque da palavra As mãos perscrutam o som da palavra Ela que cava, escava, encrava Ela que pulsa, pune, absolve, abs...