Vocês acham que estão fazendo A REVOLUÇÃO, crianças Mas estão apenas REpetindo os passos dos vossos pais Neste país tão degradado Segregado Foi consagrada a maldição Da boca que come a boca Da serpente sem dente Tão impune-mente A mais nova ideia De 100 anos atrás Gritos em praças Sonhos das valsas Pigmentos de heróis e heroínas Da outrora Do acender da aurora Ou do acaso do ocaso Tão mórbido Quanto breu Tão fora do eixo quanto Um você e um eu Continuem, crianças Vossa saudosa revolução É necessária a cada nova geração Pensar que faz o novo De novo E de novo Pensar que faz renovo E, aos trinta e poucos, descobrir Que tudo não passou de simulacro ou dis-simulação Daquilo que um dia foi E do que poderia vir a ser E de um passado im-perfeito Ou de um futuro do presente Ou de um presente do futuro! Oxalá, desta vez, seja real! Como quisera este REnasCER... noi soul Ou Celéstyan...
tenho medo que interpretem demais minhas palavras: que coloquem significados onde não existem que fiquem focados em compreender muito esta ou aquela expressão que se iludam buscando profundidade no raso e luz onde só há escuridão que espelhem demais suas próprias frustrações naquilo que eu disse porque eu raramente digo o que não queria dizer é quase sempre direto, reto, sem arrodeios mesmo quando invento palavras apenas porque acho mais bonitas de ler tenho medo de quem perscruta cada colocação pronominal caçando explicação que eu nunca desejei oferecer trocando os verbos, pintando a roupa, tirando a tinta, podando o verso quando tudo o que eu falo é tão simples tão simples tão simples é coisa mais sobre sentir do que sobre entender... Celéstyan num inverno congelante do sertão baiano no dia 2 de julho de 2025
O seu trabalho foi descartado de cara. O título e a primeira frase do capítulo 1 estavam horrendos demais, sem possibilidade de salvação, pensou o juiz da banca examinadora. Parada no ponto de ônibus, a curiosa Fiu, apelido de Madalena, observava o movimento de ônibus, carros, motos, pessoas e cachorros pela Avenida Frei Benjamin. Seu olhar estava mais disponível aos cães, fã confessa dos animais, Fiu sempre revezava entre ansiedade e angústia ao ver o destino traçado para aqueles seres abandonados na rua. Sempre que conseguia, ia ao seu auxílio, fazia campanhas virtuais para arrecadar rações, deixava vasilhas com água perto de onde morava. Mas os cachorros pareciam se multiplicar por todos os cantos da cidade. Cássio trabalhava numa pequena editora no bairro Ibirapuera, morro da cidade interiorana, e acabara de descartar mais um original sem graça na lixeira do seu computador. A Exoticamente estava em período de seleção e o trabalho de encontrar trigo em meio a tanto joio desgasta...
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