Continue a nadar...

enquanto o vapor da água com sal sai de minha boca e gargarejo o mais profundo que consigo, pensando em como poderei extirpar da minha garganta esses microsseres que me fazem tossir, espirrar, doer o peito... foi uma receita de uma amiga querida. ela diz que funciona e eu acredito. espero que funcione mesmo pois estou precisando que todas as magias funcionem a meu favor neste momento. pedi à Alexa que colocasse numa estação de músicas para meditar, embora eu não tenha nenhuma pretensão de ficar sentada, com olhos fechados, buscando esta conexão com algo ou alguém que me explique esta bagunça que é viver. estou aqui escrevendo no meu grupo comigo mesma, que é 1 entre dezenas, chamado "Nossas crônicas", como se este texto pudesse vir a ser uma crônica... Talvez seja mais um mal-entendido, apenas mais um entre tantos que perambulam por aí. antes que a porta da minha casa se abra e me revele o rosto dele, preciso deixar esta nota aqui. ao deitar meu corpo sobre minha cama macia, sempre imagino boas histórias que nunca tenho coragem de levantar para escrever. sempre penso "essa é boa demais para eu esquecer!". E sempre esqueço. No dia seguinte, fica apenas a sensação de que eu poderia ter tido menos preguiça, de que eu poderia deixar um bloco de notas na cabeceira, de que eu poderia ter feito um texto digno que encantaria ou até mesmo salvaria alguém. mas sempre repito o feito do não-feito e me pergunto de quantas promessas somos compostos... de quantos sonhos não realizados é feito meu suposto destino? de quantas conversas não terminadas é composta minha vida? de quantos mal-entendidos é feito meu corpo? às vezes, acredito que boa parte dos nossos problemas é apenas, apenas um abraço que não foi dado na hora certa, uma palavra que destoou numa frase, um gesto impensado que feriu o outro, um olhar que distanciou quando deveria acolher, uma promessa que foi cumprida pela metade... e tudo desmorona! quantos mal-entendidos fazem ou desfazem uma existência? há mais dúvidas do que certezas, é bem verdade. há dores por todo o corpo febril. acho que são apenas delírios de uma mão adoecida. então, esqueça toda essa agonia e pronto. apenas continue a andar...



noi soul

Maio gripado 

2026

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

sobre o caso de ter um blog sem ser blogueira (Ou: como decidi começar este trabalho estapafúrdio)

um poema de fôlego só

Colapso temporal