Eu sei que é difícil...
eu sei que é difícil...
quando estamos imersos em nós mesmos e a mente grita "você está morrendo!" e a gente se assusta e sucumbe outra vez...
ao invés de revidar (re-vida-r), a gente adormece, adoece, sente o peso do corpo e do tempo... mas eu poderia gritar para a mente: "eu sei que estou morrendo e é por isso mesmo que não perderei este momento!"
eu sei que é difícil, mas aprendi a lidar com ela da minha própria maneira, com meu próprio ritual interno. faço um chá, ora de erva-doce ora de camomila, olho para o céu e imagino algum desenho esquisito nas nuvens, coloco uma música e danço na cozinha, meu metro quadrado amado! vou a chuveiro e lavo meus cabelos, deixo a água quente entorpecer minha pele, anestesiar minhas dores mortais...
eu sei que é difícil voltar a si, perceber o quanto aquele grito da mente é apenas um alerta, é apenas um aviso: PERIGO!
eu sei que é difícil ver algo de positivo quando os olhos moram em outras dimensões, quando o corpo pede pausa até mesmo de boas conexões...
eu sei que é difícil agir, reagir, revidar à força esmagadora do pensamento persistente, insistente, tão eloquente que volta a repetir sempre e mais alto: "Você está morrendo!"
eu sei
eu sei
quem melhor que eu para saber de mim? quem mais sabe das minhas prisões contrárias? quem dorme e acorda presa no mesmo corpo, na mesma alma? quem conhece e desconhece os assombros da finitude sempre à espreita?
quem mais?
eu sei que é difícil ser humana, ser SER HUMANO, viver, morrer, saber da morte, resistir a ela, entregar-se a ela, desculpar o tempo, pular ao vento, precipitar-se com cautela, ser e não ser...
eu sei que é difícil saber
a vida é um precipício
e se eu não me lanço às cegas, como saberei apreciar o risco?
eu sei que é difícil...
mas este é meu único vício!
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noi soul
Outono de 2026
em meio à ansiedade, menstruação, gripe, ressaca social...
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