perambulações pela via dos poetas mortos
É estranho acordar em desacordo com as cores do céu Eu, cinza Ele, azul Eu, tristeza Ele, solar não gosto quando estamos assim comprometidos nossa discrepância aumenta meu desânimo vejo um passarinho depois, dois! por fim, a árvore do canteiro Fernando Pessoa, lotada de seus pios e cismas hoje passei por Manoel e por De Barros e me identifiquei galhos secos, poucas folhas no cucuruto lembrei-me que estamos no inverno e eu me sinto passando pelo meu inferno astral há dias piores adio os melhores, de propósito! sinto dores pelo corpo ninguém explica não há remédio que baste e atravesso a avenida turbulenta de um lado, Cora Coralina, pura! do outro, Clarice Lispector, louca! sou ambas na mesma estação sorrio de novo sou todo esse povo inconformado sou o espírito desviado sou o conta-gotas da Nuvem e, então, subo as escadas de casa e da vida e entrego-me a uma música melancólica é bom ter companhia na solidão... ______...