Promessa

Decidi não dar murro em ponta de faca

Decidi não apontar dedos 

Nem entrar em intrigas que não sejam necessárias

Decidi reivindicar meu direito de existência 

E reinventar o que me ensinaram ser minha essência 

Eu vou mostrar a quê vim

E eu vim para fazer acontecer

Eu estou nesta Terra 

Plantada com o amor dos deuses

Não sou árvores ou raízes 

Sou o próprio mar embevecido do céu 

Eu sou porta escancarada

Sou a fronteira da beirada 

Sou o doce escândalo da alvorada

Eu sou vida

E sou nada!

É por isso que nem pensarei duas vezes 

Ao lançar minha alma leve 

Este instante, de tão breve,

É o que resta ao esplendor

Então, sonharei e destrancarei 

Até os cadeados mais enferrujados

E quem andar ao meu lado 

Será para brilhar também 

O fulgor do meu sol 

É luz que desperta amor 

Se isso não é a própria epifania 

Não sei mais onde estou!

Decidi levantar poeira

Levantar mulheres 

Acender lareiras

A minha luminária não é pequena ou vã

Tenho em mente a extraordinária

Beleza do despertar 

O sabor da tucumã!

Sou bela!

És bela, ó Senhora Noite!

Noite

Noite

Que açoite meus versos sofreram

Sonhei com a Dama das camélias 

Ela sussurrou minha inspiração: 

Sua palavra pede coragem 

Sua lavra pede minha mão 

Entrego-me completa ao silêncio 

Acolho dele seu perdão 

Sou sombra e sou gérmen 

Desta mesma Imensidão!

Não! Não! Não!

Nunca mais nos calarão!


noi soul

Em uma primavera invernal (e quase infernal) nesta cidade estranha que vive em minhas entranhas, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil, 2025.


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