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Mostrando postagens de outubro, 2025

O verdadeiro encontro

A autorrevelação é a prova de amor que mais me mobiliza. Quando escuto os segredos mais sombrios de uma outra pessoa contados pela própria pessoa, sinto que a verdadeira conexão se estabelece. Quando tenho permissão para entregar meus próprios demônios nos braços de outro ser, sinto amor. É raro, muito raro, porque a maioria de nós fica na superfície, num algo de não sei o quê de temores e tremores ao pensar na confissão. A maior confissão a ser feita nunca foi sobre as palavras "Eu amo você"... eu as trocaria facilmente pelas palavras, talvez não tão impactantes nem tão diretas quanto almejamos mas de um poder destruidor-formador de mundos, como uma bola de demolição, como uma orquestra de uma só canção, como a realização do sublime sobre a Terra. Quais palavras? Aquelas que, em resumo, poderiam assim ser inscritas numa alma: "Eu confio em você. Eu confio tanto em você que entrego minha história aos seus ouvidos. Eu confio tanto em você  que me derramo inteiramente em s...

Até para a alegria

Eu tenho remédio até para a alegria  Ser alegre desmesuradamente também pode matar Descobri isso enquanto dançava em seus braços  E quase cheguei ao paraíso  Minhas mãos tocaram suas mãos  Meu remédio é sua companhia noi soul

Mátria

Eu preciso falar de coisas bobas  Mas ainda não há tempo Enquanto resolvo e revolvo a vida estas mãos precisam se erguer e se defender Não é bonito o gesto Mas é o que tenho para oferecer Sou mulher numa sociedade violentamente Misógina  Sou mulher numa praça de senhores sem lógica  Sou mulher na senda de uma cultura que me mata e mata a todo instante minha possibilidade de falar Apenas sobre coisas amenas...  Não! Não vão nos calar! E este grito nada bonito Soando como um estampido  Desregulado, desajustado  Dirão mesmo ser histeria  Esta estranha e enfadonha mania De eu viver sempre a me defender... Mas não foi ontem que mataram uma moça? Não foi ontem que mataram seus sonhos? Não foi ontem que mataram mais uma  E mais uma  E mais uma Porque, acham eles, são os seus donos?! Como posso falar de outra forma? Como posso ter polidez? Quando vivo cercada de medos Sempre à espera da minha vez... A minha vez...  Foi ontem,  Foi anteontem...

Promessa

Decidi não dar murro em ponta de faca Decidi não apontar dedos  Nem entrar em intrigas que não sejam necessárias Decidi reivindicar meu direito de existência  E reinventar o que me ensinaram ser minha essência  Eu vou mostrar a quê vim E eu vim para fazer acontecer Eu estou nesta Terra  Plantada com o amor dos deuses Não sou árvores ou raízes  Sou o próprio mar embevecido do céu  Eu sou porta escancarada Sou a fronteira da beirada  Sou o doce escândalo da alvorada Eu sou vida E sou nada! É por isso que nem pensarei duas vezes  Ao lançar minha alma leve  Este instante, de tão breve, É o que resta ao esplendor Então, sonharei e destrancarei  Até os cadeados mais enferrujados E quem andar ao meu lado  Será para brilhar também  O fulgor do meu sol  É luz que desperta amor  Se isso não é a própria epifania  Não sei mais onde estou! Decidi levantar poeira Levantar mulheres  Acender lareiras A minha luminária não é...

Gaiola

Estranha forma de libertação  Esta prisão! Não quero ser flor a perfumar seus cabelos Quero ser a pedra no sapato Incômoda Areia incrustada nos olhos  Ou na ostra  Pérola feita de expurgo  Um canto espúrio  Quero ser invasão dos seus sonhos Motivo dos seus pesadelos  Fogo da sua estrada  Quero ser a encantada  A perturbar sua jornada! [...] Desculpe-me se não sou assim...  Sou uma menina doce Sou uma mulher sem foice Sou a pura gentileza coberta de jasmim Sou a princesa alada E nunca fico calada Falo de um amor sem fim...  Eu sou onda que espalha Sou céu que evoca asas  Sou beleza em seu jardim... Estranha forma de libertação  Esta minha nova prisão! noi soul Pulsão Poética

Doses 2

Uma mente perturbada já está salva Ela não sabe o que pensa...  noi soul (Celéstyan está viajando) é só o que eu acho. Pronto!

Doses

Vou sofrer até que o sofrimento se canse de mim e me deixe em paz. noi soul (Celéstyan está de férias) Primavera de invernos dentro e fora do meu corpo Outubro de 2025

escrevo cartas que nunca enviarei

comecei a fazer isto para mamãe. fiz uma carta para ela, mas o endereço estava um tanto inalcançável, então guardei a carta na minha carteira junto com documentos que talvez nunca utilize. lá também tem um grão de mostarda que ganhei em algum evento do qual já participei. uma sementinha pífia, nada que pareça valer a pena, mas não consigo me desfazer dela. é como um amuleto às reversas para me lembrar da minha falta de sorte. não sou a pessoa mais sofrida ou mais sofredora do mundo, disso eu sei. talvez eu nem esteja na média. talvez eu seja uma das pessoas mais sortudas do mundo. é... e isso não me deixa em paz. mas descobri que posso ajudar outras almas atormentadas a sorrir um pouco, mesmo que eu não saiba contar piada nem ser palhaça. estou aqui lutando contra o sono para conseguir escrever diretamente no Blogger algo que faça sentido (e que faça sentir), só para dizer que retornei. e que, sim! talvez, talvez eu compartilhe alguma palavra que valha a pena seu tempo por aqui. e fala...

É tão ridículo existir...

O que me para é meu senso do ridículo  Queria não ver tanto com a consciência  Faria eu uma revolução  Se não prestasse tento  Em tanta bobagem que escuto minha mente contar Nem é que seja mentira É senso de proteção  É pra não me deixar em apuros É pra não me envergonhar É que eu preferiria não ver tão bem o quanto é ridículo existir noi soul Enquanto tenta se conectar com Celéstyan (elas brigaram um pouco e tudo por causa de Medeia. Que mulheres!!)